ENTREVISTA COM DR. FABIO NARDELLI-DIRETOR TECNICO DO HOSPITAL DE MISERICÓRDIA.

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ENTREVISTA COM DR. FABIO NARDELLI-DIRETOR TECNICO DO HOSPITAL DE MISERICÓRDIA.

Altiaqui: Dr. Fabio, muito obrigado em nos atender, espero que consigamos elucidar as duvidas da população, muito boa tarde para o senhor.

Dr. Fabio: Boa tarde, eu que agradeço a oportunidade de poder esclarecer o funcionamento do hospital e a eventuais duvidas que vocês possam vir a ter.

Altiaqui: Qual a diferença entre diretor técnico e diretor clinico?

Dr.Fabio: O cargo de diretor clinico, é uma representação do corpo clinico do hospital, ele é eleito dentre os médicos que prestam serviço no hospital, para representar os médicos,e o corpo clinico junto a administração do hospital.

E o cargo de diretor técnico, é um cargo nomeado pelo hospital, então eu sou contratado, presto serviço para o hospital como diretor técnico, e minha função é basicamente zelar pelas condições de atendimento dentro do hospital, eu sou responsável pelo hospital, pela estrutura hospitalar em termos de atendimento medico, enquanto que o diretor clinico, é responsável pelos médicos.

 

Altiaqui: Essa nomeação a qual o senhor se refere, ela é feita por quem, pela própria diretoria do hospital?

Dr. Fabio: Sim, pela mesa administrativa do hospital, e em ultima analise, pelo provedor do hospital.

Altiaqui: A questão dos salários, de diretor técnico e diretor clinico: existe alguma diferença, algum salário a parte para quem exerce essa função, ou a única coisa que o senhor recebe é seu salário como medico da prefeitura?

Dr. Fabio: O meu cargo na prefeitura é separado, sou concursado e tenho meu salário na prefeitura pelas horas que cumpro nas unidades de saúde (postinhos). No hospital eu não tenho salário, eu não sou contratado do hospital, eu presto serviço como autônomo e recebo por hora trabalhada. Não existe salário definido para diretor clinico, nem para diretor técnico, o que existe é um contrato de prestação de serviço.

Altiaqui: Quais as especialidades que o hospital oferece, e em que dia da semana temos acesso a esses especialistas?

Dr. Fabio: Com relação aos especialistas, todo atendimento é feito mediante agendamento de consultas. E temos, atendendo todos os dias, Ginecologista de manha e a tarde, Ortopedista, na segunda, na terça, na quinta e na sexta, de manha e de tarde, Cardiologista, às terças feiras de manha, quarta feira à noite, quinta feira à tarde, e na sexta feira, de manha e a noite. Temos também o Pneumologista na quarta feira pela manha, o Neurologista aos sábados, o Psiquiatra na segunda, quarta e quinta, de manha e de tarde. Todos os horários estão sujeitos a alteração, de acordo com a disponibilidade do profissional, e os atendimentos são feitos por agendamento.

Alem das especialidades com atendimento agendado, temos também o pronto atendimento, que funciona sem agendamento, é só o paciente ir à hora que precisar.

Para isso contamos com Clinico Geral 24 horas por dia, temos Pediatra que atualmente não atende 24 HORAS  por dia, porem, estamos tentando implantar, e o que nos limita é justamente a falta de profissionais. È muito difícil encontrar Pediatra disposto a trabalhar a noite ou em finais de semana.

Basicamente para os atendimentos, são essas as especialidades, alem do Anestesista que fica a disposição para eventuais cirurgias.

Altiauqi: Como funciona o plantão medico no hospital?

Dr. Fabio: Todos os plantonistas fazem o plantão geralmente de 12 horas, das sete da manha às dezenove horas, e das dezenove horas as sete da manha. Durante a semana esse plantão tem só 6 horas, das sete a uma, e da uma as sete. Geralmente os plantonistas vêm de fora, de outras cidades, por que não temos profissionais suficientes para cobrir todo o plantão do hospital.

Altiaqui: Quantos médicos o hospital de misericórdia tem em seu quadro, digo, médicos efetivos?

Dr. Fabio: Os médicos do hospital não têm nada a ver com a prefeitura, apesar de prestarem serviço para o município e para o hospital. Quem trabalha no hospital, trabalha por vinculo com o hospital, a grande maioria trabalha como autônomo. Hoje temos quatro médicos que são registrados em carteira, mas serão passados para o regime de autônomos.

Altiaqui: Eu precisei de um posto de saúde aqui em Altinópolis e fui muito bem atendido, e a impressão que me deu é que os postos atendem melhor a população, até pela rapidez no atendimento. Isso procede ou é coisa de minha cabeça?

Dr. Fabio: Hoje, mais da metade dos atendimentos e consultas medicas, são realizadas no hospital, somando todas as consultas que são realizadas em todos os postos, não da o que o hospital atende, justamente porque o hospital tem a característica de atender sem agendamento. O paciente chega La, e em qualquer momento ele será atendido,e por ser livre demanda, pode ser até que demore, às vezes chegam muito mais pacientes do que temos capacidade de atender. E nos postos de saúde, muitas vezes as pessoas deixam de ir, achando que não serão atendidas. Então, coisas que não são urgentes, que da para esperar um dia ou dois, o ideal é que o paciente procure a unidade de saúde, se ele não puder ser atendido naquele momento, ele será acolhido por um profissional de enfermagem, e se a demanda for urgente, ele será atendido no mesmo dia, ou encaminhado para o hospital. Porem se não for urgente, ele será agendado, e sendo agendado ele terá a possibilidade de ser atendido na hora, sem ter que enfrentar fila.

Altiaqui: Temos recebido varias reclamações com relação à distribuição de remédios pela farmácia do hospital, recebemos vários e-mails de pessoas que dizem não encontrar os medicamentos na farmácia. O que o senhor pode dizer a esse respeito?

Dr. Fabio: Eu posso falar disso como medico, e não como gestor, pois a farmácia não é do hospital, ela usa o prédio do hospital temporariamente, mas a farmácia é vinculada a prefeitura. E como medico eu lhe digo que a grande maioria dos remédios que prescrevo, tem na farmácia do hospital, muitas vezes não tem o remédio, porque o medico não teve o cuidado de prescrever uma medicação que é disponibilizada pelo SUS. Claro que ocasionalmente, ocorrem problemas pontuais de faltar uma medicação ou outra, e no ano passado tivemos o problema de transição de gestão, inclusive a lista de remédios padronizados na farmácia, foi toda refeita, eu participei da elaboração, e a gente está disponibilizando muito mais medicamentos que o padrão da maioria das cidades, porem, o medico que prescreve, tem que ter certo cuidado em prescrever medicamentos que o SUS fornece. Mas eu posso lhe dizer como medico, que a grande maioria das doenças, podem ser tratadas com os medicamentos que temos e que são disponibilizados pelo Ministério da Saúde.

Altiaqui: PSF, o senhor responde também, ou PSF e de exclusividade da prefeitura?

Dr. Fabio: Posso responder pelo PSF como membro integrante, não como gestor, mas sim como medico.

Altiaqui: Então vamos La! Quantas equipes de PSF existem hoje em Altinópolis?

Dr. Fabio: Hoje, formadas e completas, tem cinco equipes para cobrir a área urbana, ou seja, cobrem cem por cento do município, e temos mais uma equipe que cobre a zona rural, por tanto, são seis equipes de PSF.

Altiaqui: Quando o senhor diz formadas e completas, o que o senhor está querendo dizer? Quais as especialidades que o estado exige para que se monte uma equipe de PSF? E mais, nós temos essas equipes exatamente completas?

Dr. Fabio: Sim, as cinco equipes da zona urbana, e a equipe da zona rural, contam com medico, enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e cinco agentes comunitários de saúde. Temos também o núcleo de apoio da família, que conta com dentista, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, pediatra, e eu que sou ginecologista.

Altiaqui: E psicólogo doutor, não tem?

Dr. Fabio: Sim, também tem.

Altiaqui: As equipes de PSF são do hospital ou da prefeitura?

Dr. Fabio: Atualmente, os únicos profissionais que estão vinculados ao hospital, são os psicólogos, todos os demais profissionais, são concursados da prefeitura.

Altiaqui: Eu não sei o que diz a lei, mas lhe pergunto: esses profissionais têm que ser funcionários da prefeitura?

Dr. Fabio: Eu também desconheço a legislação, a única coisa que exatamente eu sei é que o agente comunitário de saúde precisa ser vinculado diretamente a prefeitura municipal.

Altiaqui. O senhor trabalhou na gestão passada, e está na atual gestão. Da pra traçar um paralelo das duas administrações, ou seja, melhorou, esta na mesma, ou piorou a saúde do município?

Dr. Fabio: Existem duas coisas que precisamos diferenciar quando falamos em saúde.

Em saúde publica existe a diferença entre o que a população quer, e o que ela precisa, a população quer chegar e ser atendida na hora, ou às vezes só pedir um exame, só que não é isso que ela precisa, ela precisa de um acompanhamento medico, ela precisa de uma visão integral da saúde dela. O paciente precisa passar por uma consulta e medico dizer que tipo de exame ele precisa e se ele precisa fazer exames ou não. Baseado nisso, eu posso dizer com absoluta certeza que atualmente a saúde melhorou muito, porque hoje buscamos fazer o que a população precisa.

De uma maneira bem pratica, na gestão anterior, colocava-se médicos nos postos e agendavam-se pacientes, pois bem, o paciente ia La passava na consulta medica, pegava sua receita, seu pedido de exame e saia sem destino. E isso gera um aumento no numero de consultas, gera uma baixa resolutividade dos problemas de saúde e faz com que o dinheiro da saúde seja mal empregado.

Hoje, estamos com o sistema de saúde todo integrado e organizado, de forma, que nossa intenção é de que o paciente jamais saia do consultório, ou do hospital sem saber para onde ir, ou sem saber o que ele tem que fazer. Estamos tentando programar todo o acompanhamento de saúde e ver não só a saúde física, mas também a saúde emocional do paciente, para que possamos fazer com que os problemas de saúde sejam resolvidos e não só “empurrados com a barriga.” O período de transição do ano passado foi difícil de passar, porque tínhamos um acumulo de resoluções, mas que agora estamos conseguindo colocar tudo nos eixos.

Altiaqui: Existe alguma estatística do próprio hospital, que mostre talvez a diminuição nos casos de internação, ou que apontem essa melhora na saúde?

Dr. Fabio: As únicas estatísticas que temos e que são significantes são os números de consultas, e que ainda estão muito elevados, mas as ações de prevenções em saúde, elas demoram muitos anos para serem sentidas no ponto de vista do numero de consultas. Hoje o numero de consultas que temos, ainda é maior que o ano passado que é maior que ano retrasado, e está cada vez aumentando mais. Porem agora esperamos ter uma diminuição, de acordo com atividades educativas que faremos junto a população.

O numero de internações em nosso hospital é muito pequeno, então, não da para se fazer uma analise estatística disso, a própria disponibilidade de leitos, faz com que a gente interne pacientes não tão graves, coisa que no passado, muitas vezes deixamos de internar por falta de leitos. Esse tipo de analise vai demorar um pouco de tempo mais, para podermos fazer.

Altiaqui: Existe algum caso de dengue confirmado no município?

Dr. Fabio: Tivemos seis casos de dengue notificados, esses casos têm que ser notificados à simples suspeita, se o paciente chega, e eu acho que é dengue, eu tenho que notificar mesmo sem confirmação. Das seis notificações, uma foi confirmada, mas o paciente é de Ribeirão Preto, a família dele é daqui, mas ele trabalha em Ribeirão todo dia. Dos outros cinco casos, dois já foram descartados e os outros três aguardam resultados de exames.

Altiaqui: Muito obrigado doutor por ter nos atendido, desejamos ao senhor e a equipe do hospital, toda boa sorte do mundo, pois isso refletira em melhoras para a população. E independente de posição política, o altiaqui estará sempre aberto a quem quiser falar de saúde, pois sabemos da importância da saúde para o bem estar da população.

Dr. Fabio: Agradeço a oportunidade e me coloco a disposição para esclarecer qualquer duvida que vocês possam ter. È só me chamar e terei o prazer em esclarecer.

Ademir Feliciano

 

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