ALTINÓPOLIS BEIRA OS 100 ANOS (SEM NADA) Por “Heitor Mazzoco”.

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Uma cidade com pouco mais de 15 mil habitantes completa, hoje, 97 anos. Altinópolis se tornou um caos digno de metrópole nos últimos anos. Na principal entrada da cidade há um buraco enorme que impede o tráfego até de bicicletas. Esse buraco, se não me engano, está lá há um ano. Altinópolis é uma cidade com poucas empresas. Na década de 1990 perdeu a Nestlé e a Nilza – produtoras de leite, queijo e doces. Resultado? As pessoas perderam seus empregos e deixaram a cidade.

Para aumentar a população, só se corajosos decidirem morar lá, porque o único hospital da cidade não pode realizar partos. Isso mesmo! Não se pode nascer em Altinópolis – exceto nos casos de mães que decidam ter seus filhos em casa como nos moldes do século 19.

O transporte público foi cortado. Exatamente. Agora é carro ou a pé. O único ônibus de transporte coletivo passa em horários definidos pela prefeitura. Por exemplo, o ônibus passa às 8h e depois só às 11h. Minha sugestão é a de que voltem a andar de carroças.

E a coleta de lixo também tem problemas. Antes, o caminhão do lixo passava todos os dias. Hoje, a população precisa tirar o lixo de suas lixeiras e deixar na esquina – correndo risco de a chuva levar tudo.

A violência aumentou. Roubos e furtos ocorrem, agora, com frequência. Muitos especialistas dizem que o certo é investir na educação e no esporte para tirar crianças da rua. Certo? Certo, mas em Altinópolis o único lugar para se praticar esporte, conhecido com CSU, está fechado há anos, porque, durante uma reforma, a obra simplesmente caiu. Resta o Clube Xavante, mas é privado. Como famílias carentes conseguirão pagar para usufruir?

Altinópolis, segundo o jornal “Estado de S. Paulo”, tem um caso de zika confirmado. Pela proporção, é maior que os casos de São Paulo.

Por fim, a prefeitura. Altinópolis tem um prefeito que se chama Marco Ernani Hyssa Luiz, conhecido como Nanão (PMDB). Somente em 2015, Nanão, que é médico, foi acionado na justiça oito vezes pelo Ministério Público. É réu! Nanão é um dos milhares de prefeitos do Brasil que reclama dizendo que não há verba para administrar a cidade. Não sei se, como os outros, está jogando a culpa em Dilma Rousseff (PT).

Porém, uma pesquisa rápida no Tesouro, aponta que Altinópolis recebeu R$ 17,9 milhões do governo federal em 2014. Destes, R$8,8 milhões de FPM (Fundo de Participação do Município). Em 2015, Altinópolis recebeu R$ 18,6 milhões, sendo R$ 9,4 milhões de FPM.

Altinópolis beira os 100 anos próxima, muito próxima de um colapso total. Talvez, para a cidade, o feudalismo seja a solução.

-Heitor Mazzoco é jornalista. Pós-graduando em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

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