A cegueira brasileira e as reformas necessárias-Por Heitor Mazzoco

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Milhares de pessoas foram às ruas no domingo (13 de março) para uma manifestação antipetista. Sim, a maioria estava nas ruas para pedir impeachment da presidente Dilma Rousseff. Porém, boa parte aceita com sorriso largo o tucano Aécio Neves presidente. Ou seja, as manifestações não pedem o fim da corrupção.  Desse modo, continua o mesmo ciclo: tiram um acusado de afanar dinheiro público e colocam outro acusado. Uma minoria foi às ruas pedindo fim da corrupção, independente de partido político. Repito: Minoria!  Em São Paulo, por exemplo, manifestantes que apareceram com cartazes “Fora PT e PSDB” foram expulsos da Avenida Paulista. Pedir a saída do PT e simpatizar com PSDB não é ser contra corrupção, isso se chama oposição.

Há amplo desgosto com o governo Dilma Rousseff. Como aconteceu também nos governos Lula, FHC, Itamar, Collor e Sarney. Porém, desde a redemocratização – quando voltamos a opinar sem tomar tapa na cara – o desgosto brasileiro mira apenas um alvo: o governo federal. Não há revoltas, como as que acompanhamos agora, pedindo fora Alckmin, fora Pezão ou fora Beto Richa. Não há revoltas contra vereadores e prefeitos de cidades grandes, médias ou pequenas. Por qual motivo? Falta de bisbilhotar o que seu vereador, seu prefeito, seu deputado estadual, seu governador estão fazendo. Garanto que muitos não estão agindo como bons republicanos. Imaginem então o que estão fazendo deputados federais e senadores?

O caminho para o Brasil é a reforma política, em primeiro lugar. Uma boa medida é diminuir o número de deputados e senadores. Diminuir seus salários e acabar com cargos em comissão. Mudar o sistema de voto – o distrital é o que mais me agrada no momento. É o modelo em que podemos cobrar com mais facilidade aqueles que nós elegemos.

Outra reforma importante, de que não se fala muito, é a reforma no judiciário. O poder que julga é uma verdadeira caixa preta – completamente intocável, a meu ver. Não há necessidade alguma ter graduação em direito para saber isso. Basta ver como se dá a nomeação a partir da segunda instância – todas por indicação. Para chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ou ao Supremo Tribunal Federal (STF), você precisa ter contatos em primeiro lugar. Depois, um bom currículo. Em alguns casos, vocação partidária passa à frente dos quesitos anteriores.

Assim, qualquer político de esferas superiores faz de marionete, caso queira, os togas pretas. Para ser juiz em primeira instância, o bacharel em direito precisa passar em concurso público – nada mais justo. Aqui, parabenizo os que foram aprovados e entraram exclusivamente por conhecimento e capacidade.  Mas não dá para confiar em boa parte dos indicados por governos corruptos. Claro, não são todos, mas boa parte.

Para concluir, enquanto manifestantes focam apenas uma fatia dos políticos, os outros deitam e rolam aproveitando seus poderes para ampliar tentáculos em todos os lugares dos Três Poderes, na espera do momento em que sentaram nas cadeiras mais importantes do município, estado e país.

Heitor Mazzoco é jornalista e pós-graduando em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)

Foto: Heitor Mazzoco (Avenida Paulista- 13 de março de 2016)

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